Jaboatão

Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes apresenta estudos sobre arborização urbana em congresso nacional

A Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes apresenta, no XXVIII Congresso Brasileiro de Arborização Urbana (CBAU 2026) e no VII Congresso Ibero-Americano de Arborização Urbana (CIAU), dois artigos científicos produzidos a partir dos estudos sobre arborização urbana desenvolvidos no município. Os eventos acontecem no Recife e reúnem pesquisadores, especialistas, gestores públicos e profissionais de diferentes regiões do Brasil e de outros países.

Os trabalhos são “Estruturação Metodológica do Plano Municipal de Arborização Urbana de Jaboatão dos Guararapes” e “Cobertura Vegetal e Adensamento Urbano em Jaboatão dos Guararapes–PE: Subsídios ao Plano Municipal de Arborização Urbana”.

Iniciada no ano passado, a pesquisa é realizada pela Prefeitura em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e coordenada pelo professor Everaldo Marques de Lima Neto, do Departamento de Ciência Florestal da instituição. A iniciativa surgiu a partir de uma articulação com o corpo técnico da Secretaria de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal, que identificou a necessidade de estruturar uma política específica para a arborização urbana.

“A ideia surgiu a partir de uma possibilidade com o corpo técnico do município, que viu a necessidade de elaborarmos um Plano Municipal de Arborização Urbana. Jaboatão é uma cidade com grande potencial para arborização, que enfrenta desafios na estrutura de políticas, planos e legislação. O plano vai justamente nortear o desenvolvimento das políticas e das ações que a Prefeitura poderá implementar para construir uma cidade mais arborizada”, explica Everaldo.

Um dos primeiros trabalhos desenvolvidos pela equipe trata justamente da estruturação metodológica do plano. A pesquisa considera as diferentes características do território, analisando setores censitários do IBGE, bairros e regiões com diferentes níveis de ocupação urbana.

“Temos regiões com grande adensamento populacional e outras com menor ocupação, que ainda não estão completamente urbanizadas. Nessas áreas, precisamos pensar na conservação. Já nas regiões mais adensadas, precisamos identificar e ampliar o verde urbano”, afirma o professor.

A metodologia também estabelece os eixos técnicos para analisar os diferentes componentes da floresta urbana, como praças, parques, áreas verdes, canteiros centrais e árvores localizadas nas ruas. Em vez de um censo completo, a equipe utiliza uma metodologia de amostragem, adequada à extensão territorial do município e capaz de produzir dados representativos com rigor estatístico.

A etapa de campo inclui o levantamento de áreas verdes públicas e da arborização viária, com informações georreferenciadas e organizadas em banco de dados. O trabalho também utiliza recursos tecnológicos, como drones, e conta com estudantes de graduação e pós-graduação da UFRPE.

Gerente de Licenciamento e Fiscalização Ambiental da Prefeitura, o engenheiro florestal Moacir Marinheiro acompanha a área de arborização urbana. Para ele, o evento amplia a troca de experiências e dá visibilidade às ações desenvolvidas pelo município. “Hoje, os municípios precisam cada vez mais saber o que plantar, onde plantar, como plantar e também quais árvores precisam ser retiradas, quando necessário”, explica.

Os dados produzidos também deverão contribuir para a definição de critérios de compensação ambiental, indicando locais adequados para a recomposição vegetal em situações que envolvam supressão de árvores ou vegetação. “É preciso saber onde essa compensação pode acontecer: em uma via, em uma calçada, em um parque ou em outro espaço adequado. O inventário vai fornecer os dados necessários para a elaboração da legislação”, afirma Marinheiro.

Além de produzir conhecimento sobre a realidade de Jaboatão, a parceria prevê a capacitação e a transferência de conhecimento para o corpo técnico da Prefeitura, permitindo que os profissionais do município possam dar continuidade ao planejamento da arborização.

A etapa final prevê a consolidação dos levantamentos em um Plano Municipal de Arborização Urbana, acompanhado de relatórios técnicos e diretrizes para orientar as ações do município. Posteriormente, os resultados também poderão subsidiar um Manual de Arborização Urbana de Jaboatão dos Guararapes, estabelecendo critérios para plantio, manejo, retirada e compensação de árvores.

O trabalho está relacionado ainda aos desafios impostos pelas mudanças climáticas e aos benefícios ambientais proporcionados pela arborização, como melhoria da qualidade ambiental, conforto térmico e ampliação das áreas verdes.

O CBAU 2026 busca aproximar conhecimento científico, gestão pública e aplicação prática. A participação de Jaboatão permite compartilhar os primeiros resultados da pesquisa e ampliar o intercâmbio com profissionais que atuam na arborização urbana em diferentes regiões do país e do exterior.