Saúde

Sintomas da dengue incluem febre, dor de cabeça e manchas; saiba tudo sobre a doença

O Brasil registrou mais que o triplo de casos de dengue nas primeiras quatro semanas de 2024 do que no mesmo período em 2023. Com o aumento de casos da doença, é importante conhecer os sintomas e entender como se prevenir. Os sintomas da dengue incluem febre, dor de cabeça e manchas pelo corpo. Veja que se sabe sobre a doença, os repelentes e a vacina.

Sintomas da dengue:


A dengue é uma doença febril aguda sistêmica causada por um vírus da família Flaviviridae. Entenda os sintomas principais.

Febre alta > 38°C;

Dor no corpo e articulações;

Dor atrás dos olhos;

Mal estar;

Falta de apetite;

Dor de cabeça;

Manchas vermelhas no corpo.

Como ocorre a transmissão da dengue?

O vírus é transmitido por meio da picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti, que também é vetor da febre amarela, da Chikungunya e da zika.

A contaminação ocorre quando um mosquito que se alimenta do sangue de uma pessoa com dengue é infectado pelo vírus e, então, transmite a doença ao picar outro ser humano. Não há transmissão pelo contato direto com um doente ou suas secreções, nem por fontes de água ou alimento. Mas já houve relatos de transmissão vertical de mãe para filho na gravidez.

Quais são os sorotipos da dengue?

Por ser causada por um flavivírus, a doença é considerada uma arbovirose. São conhecidos quatro sorotipos:

DEN-1;

DEN-2;

DEN-3;

DEN-4.

Existe um quinto tipo (DEN-5) da dengue, mas ainda não foi registrado no Brasil. Apenas na Malásia, na Ásia, em 2007.

Primeiros sintomas da dengue

Os primeiros sintomas podem ocorrer de quatro a 10 dias após a picada do mosquito infectado. A doença pode se apresentar de forma benigna e sem sintomas, ou grave, dependendo de alguns fatores, como: o vírus envolvido, infecções anteriores pelo vírus da dengue e fatores individuais, como doenças crônicas (diabetes, asma brônquica e anemia falciforme).

De acordo com o médico e professor do Instituto de Medicina Social da Uerj Mario Dal Poz, os sintomas começam subitamente, podendo ocorrer febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos e dores nas costas. Também podem surgir manchas vermelhas pelo corpo.

Quanto tempo dura a dengue?

A febre pode ser alta e durar cerca de cinco dias, com melhora progressiva dos sintomas em até 10 dias.

“Em alguns poucos pacientes, podem ocorrer hemorragias discretas na boca, na urina ou no nariz, mas as complicações são raras” explica o professor.

No entanto, é preciso estar atento aos casos graves. Como a dengue pode ser contraída mais de uma vez por uma mesma pessoa, devido aos quatro diferentes sorotipos de vírus, as chances de alguém desenvolver um quadro crítico são maiores.

Quem pode tomar a vacina contra dengue?

Inicialmente, a vacina será para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. O público mais velho, por enquanto, não pode ser alvo da campanha já que a Qdenga foi aprovada pela Anvisa apenas para indivíduos de 4 a 60 anos. Além disso, o imunizante não pode ser ofertado à população geral devido à limitação de produção da farmacêutica Takeda.

De acordo com a ministra da Saúde, Nísia Trindade, devido ao baixo quantitativo e ao público-alvo limitado, a vacinação “é um instrumento cujo o impacto não vamos ver agora”. Trindade afirmou que o ministério está em contato com a farmacêutica e aguarda um aumento de escala de produção.

Ainda conforme o ministério, o impacto coletivo da vacinação começará a ser sentido pela população em torno de dois anos. A pasta espera também incluir no SUS um imunizante nacional contra a doença, em desenvolvimento pelo Instituto Butantan. A expectativa é que ela seja aprovada pela Anvisa em 2025 e inserida no SUS em 2026, segundo o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti.

Quando as vacinas estarão nos postos?

A primeira remessa de vacinas ainda precisa passar ainda pelo processo de liberação da Alfândega e da Anvisa para, depois, ser enviada para o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS).

O ministério afirma aguardar a liberação da Anvisa e do INCQS para iniciar a distribuição. De acordo com o diretor do PNI, Eder Gatti, o processo leva de uma a duas semanas, “mas o ministério não tem governabilidade”:

“Assim que estiver liberada, vamos começar a distribuição. No início de fevereiro esperamos começar, mas dependemos do procedimento.”

Quando a dengue é considerada grave?

Todos os quatro sorotipos de dengue podem produzir formas assintomáticas, brandas e graves, incluindo fatais, aponta Dal Poz. Casos graves podem ocorrer logo na primeira infecção, mas são mais frequentes nas reincidências.

“Existe uma proporção de 20 a 50% das pessoas infectadas que têm a infecção subclínica, ou seja, são expostos à picada infectante do mosquito Aedes aegypti, mas não apresentam a doença clinicamente, embora fiquem imunes ao sorotipo com o qual se infectaram” esclarece Dal Poz. “A segunda infecção por qualquer sorotipo da dengue é predominantemente mais grave que a primeira, independentemente dos sorotipos e de sua sequência. No entanto, os sorotipos 2 e 3 são considerados mais virulentos’.

O médico diz que muitos pacientes infectados pela segunda vez não sabem que já haviam sido contaminados antes, já que eles podem não ter apresentado sintomas da primeira vez ou podem ter contraído uma forma branda, facilmente confundida com outras viroses febris.

O que é a dengue hemorrágica?

A dengue hemorrágica é uma forma grave de dengue.

Quais são os sintomas da dengue hemorrágica?
No início, os sintomas são iguais aos da dengue clássica, mas a doença pode evoluir para quadros de sangramento e choques a partir do quinto dia.

Dengue hemorrágica pode matar?

Esses sangramentos, explica Dal Poz, podem ocorrer em diferentes órgãos do corpo e têm potencial para causar a morte. O quadro pode se agravar com a insuficiência circulatória, com chances de levar o indivíduo a um estado de choque.

A dengue hemorrágica exige atendimento médico de imediato. Além de causar os mesmos sintomas da dengue clássica, a doença, em sua forma hemorrágica, pode provocar uma série de outros problemas.

Como é o tratamento para a dengue hemorrágica?

Uma pessoa com dengue hemorrágica deve ser diagnosticada o quanto antes para que o tratamento seja iniciado rapidamente. Os cuidados incluem hidratação através de injeção de soro na veia, com internação hospitalar para monitoração do paciente. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 5% das pessoas com dengue hemorrágica morrem.

Como é o diagnóstico da dengue?

Na avaliação médica, são levados em conta:

Possibilidade de ser outra doença com os mesmos sintomas (gripe, rubéola, sarampo e outras infecções virais ou bacterianas);

Os sintomas;

O histórico clínico;

Aferição da pressão arterial;

Checagem dos batimentos cardíacos, dos pulmões;

Busca por manchas e hemorragias que possam confirmar o quadro.

A comprovação da infecção pelo vírus pode ser feita por meio de exame laboratorial. O diagnóstico da doença é geralmente feito através da sorologia chamada ELISA, PCR, isolamento viral e teste rápido. Todos os exames estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

Tratamento da dengue

Ainda não existe um tratamento específico para a eliminar a dengue de uma pessoa após a contaminação. O que se faz é tratar os sintomas da doença, combatendo a febre e prevenindo o agravamento do quadro. Em casos leves, é indicado:

Uso de analgésicos e antitérmicos, sob prescrição médica;

Hidratação constante (com água, soro caseiro ou água de coco)

Repouso.

Nos casos graves, a internação hospitalar pode ser o caminho recomendado.

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Existe vacina para a dengue?
Sim. A Dengvaxia® é para crianças a partir de 6 anos de idade até adultos de 45 que já tiveram dengue. É aplicada em três doses, com intervalo de seis meses entre elas. Já a QDenga® é indicada para todas as crianças a partir de 4 anos de idade até idosos de 60. O esquema é de duas doses, com intervalo de três meses.

Prevenção contra a dengue

A melhor forma de evitar a dengue é conter a proliferação do mosquito transmissor, eliminando os criadouros. O Aedes aegypti é atraído por acúmulo de água parada e limpa — as fêmeas depositam os ovos na superfície. Esses reservatórios podem ser pequenos ou grandes.

Recomenda-se as seguintes medidas:

Checar vasos de plantas, pneus velhos, latas e garrafas vazias, calhas, caixas d’água, piscinas abandonadas e quaisquer outros recipientes com água parada que podem proporcionar o ambiente ideal para a proliferação do mosquito nos meses de calor;

Utilizar mosquiteiros e repelentes;

Proteger braços, pernas e áreas expostas do corpo.

Fontes: Mario Dal Poz, médico, doutor em saúde pública, pesquisador e professor do Instituto de Medicina Social da Uerj; Ministério da Saúde; Fiocruz; Instituto Butantan e Médicos Sem Fronteiras (MSF). Por O Globo