Recife

Ariano Suassuna é declarado Patrono da Cultura do Recife

Lei sancionada pelo prefeito Victor Marques, nesta quinta-feira (24), reconhece a importância de um dos maiores autores brasileiros de todos os tempos para a cultura e a literatura nordestina, do país e do mundo

Em reconhecimento à trajetória e legado do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, que inaugurou uma estética literária tão fantástica e heroica quanto nordestina, o prefeito Victor Marques sancionou, nesta quinta-feira (24), a lei que consagra Ariano como “Patrono da Cultura do Recife”, pela defesa, celebração e reinvenção do imaginário poético e popular do povo do Nordeste. “Acabei de assinar a lei municipal, de autoria do vereador Rinaldo Júnior, que declara o escritor Ariano Suassuna como Patrono da Cultura do Recife. Este é um ato representativo, simbólico e formal de algo que a cidade já vive: Ariano é um grande nome da cultura e da literatura brasileira e recifense. Fico feliz porque, como pernambucano, filho do Recife e cidadão de São José do Belmonte, pude, enquanto prefeito, assinar algo tão representativo para quem tanto contribuiu para a nossa cultura. É uma forma de fazermos um pouco por ele, depois de tudo o que ele já fez por nós”, declarou gestor recifense.

A nova legislação municipal, de proposição do vereador Rinaldo Júnior (PSB), reconhece a importância e o legado de Ariano Suassuna, grande expoente da cultura brasileira, que chegou a ter seus livros publicados em diversos países do mundo e traduzidos para dezenas de idiomas, como inglês, francês, espanhol, alemão e até polonês. Além de ter ocupado as cadeiras de número 32, 18 e 35, na Academia Brasileira de Letras, na Academia Pernambucana de Letras e na Academia Paraibana de Letras, respectivamente.

“Estou muito feliz por ter meu DNA nesta história. Eu jamais imaginei, quando criança e estudante de escola pública, que teria a oportunidade de ser vereador do Recife e estar ao lado da família de Ariano Suassuna, propondo uma lei e vendo o prefeito Victor sancioná-la. Para mim, é motivo de satisfação, alegria e orgulho”, afirmou o vereador Rinaldo Júnior.

Artista de muitos predicados, Suassuna foi um intelectual, romancista, dramaturgo, poeta, professor, artista plástico e advogado, que se sagrou um dos mais celebrados defensores e narradores dos saberes e dizeres do Nordeste, representando e apresentando um povo inteiro, com sua literatura realista e fantástica, acesa e colorida pelo sol da cultura nordestina, em toda a sua diversidade e riqueza de temas e tipos, humanidades e profundidades, sabedorias e coragens, graças e desgraças.

“Eu digo que o amor de Ariano pelo Recife é de ‘A a Zélia’. Ele veio estudar no Recife, conheceu Zélia – esposa do escritor – e sua vida foi transformada. Ariano, que antes dela só escrevia tragédias, foi inspirado por ela a descobrir o riso, a leveza e a graça que marcaram o Ariano que conheci como neto. Com essa lei, temos efetivamente sedimentado, não apenas no coração, mas também na alma do povo recifense, a figura de Ariano como Patrono da Cultura da cidade”, destacou João Suassuna, neto do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna.

Mariana Suassuna, filha de Ariano Suassuna, falou sobre a paixão do pai pelo Recife. “Ele veio muito cedo para o Recife para estudar e era um apaixonado pela cidade. Defendia a cultura do Brasil, de Pernambuco e do Recife com muito amor”, disse.

SOBRE ARIANO SUASSUNA – Ariano Vilar Suassuna nasceu na Paraíba, em 16 de junho de 1927. Filho de João Suassuna e de Rita de Cássia Dantas Villar, Ariano foi o oitavo dos nove filhos do casal. Passou a primeira infância na cidade de Sousa e, durante a Revolução de 1930, seu pai, ex-governador da Paraíba, foi assassinado no Rio de Janeiro, por motivos políticos. Ariano, então, muda-se com a família para Taperoá, no sertão da Paraíba, onde inicia seus estudos primários. Em 1938, chega ao Recife para recomeçar a vida. E para sempre.

Na capital pernambucana, estuda Direito e começa a carreira artística que o sagraria eterno. Além de grandes obras, como “O Auto da Compadecida”, livro que virou peça, filme e saga brasileira, Ariano escreveu e ajudou a escrever a história de importantes movimentos políticos, humanitários e culturais, como o Teatro de Estudante de Pernambuco (TEP), o Movimento de Cultura Popular (MCP) e o Movimento Armorial, ao lado de nomes como Hermilo Borba Filho, Paulo Freire e Francisco Brennand.

Atrás dos birôs da cultura pernambucana, não foi só escritor. Atuou ainda como gestor público cultural, chefiando as secretarias de Educação e Cultura, no Governo de Pernambuco e na Prefeitura do Recife.

Orador perspicaz e espirituoso, atuou ainda como professor universitário e autor de inesquecíveis aulas-espetáculo, que até hoje ensinam um povo todo a ser e ter orgulho de ser nordestino, valendo-se das duas armas que Ariano defendia como essenciais para lutar contra o desespero, a tristeza e a morte: “o riso a cavalo e o galope do sonho.”


Foto: Hélia Scheppa/Prefeitura do Recife